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Economia de Moçambique deverá acelerar crescimento em 2020

O crescimento económico de Moçambique deverá acelerar para 4,2% em 2020, depois de em 2019 se ter limitado a 1,0%, devido ao impacto causado pela passagem de dois ciclones, Idai e Kenneth, que causaram grandes danos humanos e materiais nas zonas centro e norte do país, segundo o mais recente relatório sobre o país da Economist Intelligence Unit.

O crescimento a registar-se este ano ficará, segundo a publicação, a dever-se aos trabalhos de reconstrução dos estragos causados pelos dois ciclones e pelo início do investimento na exploração dos depósitos de gás natural existentes na bacia do Rovuma, norte do país.

“Este investimento fará com que a economia cresça à taxa média de 7,8% por ano no período de 2021/2024”, pode ler-se, sendo que as taxas previstas para o crescimento económico no período são de 6,5% em 2021 e 2022, de 8,1% em 2023 e de 9,9% em 2024.

O mesmo documento menciona que a taxa de inflação tenderá a crescer ao longo do intervalo considerado, situando-se este ano em 3,1%, aumentando para 5,5% e 5,8% em 2021 e 2022, respectivamente, para depois subir para 7,0% em 2023 e finalmente para 7,8% em 2024.

O saldo da execução do Orçamento Geral do Estado tenderá a ser negativo em todos os anos considerados, variando entre um mínimo de menos 2,5% em 2024 e menos 5,9% em 2021, depois uma previsão de menos 4,7% este ano, o mesmo acontecendo à balança de transacções correntes, com valores máximo e mínimo de menos 40,2% em 2023 e menos 34,7% em 2024.

Os analistas da EIU referem, por outro lado, que Moçambique deverá progressivamente vir a ter um acesso melhorado aos mercados de capitais, de onde está afastado desde 2016 devido à divulgação do escândalo das chamadas dívidas ocultas contraídas por duas empresas públicas com o aval do Estado,  devido ao facto de os detentores de euro-obrigações da Empresa Moçambicana de Atum terem acordado um segundo processo de reestruturação.

“No entanto, a reputação internacional de Moçambique não recuperará plenamente enquanto continuarem por amortizar os empréstimos contraídos pelas empreas ProIndicus e Mozambique Asset Management”, escreve a EIU, para acrescentar que o debate continua a decorrer no parlamento do país sobre se os empréstimos foram ou não legais e se o seu pagamento deve ser da responsabilidade dos pagadores de impostos.

Mas o documento menciona que o facto de dispor de reservas de gás natural de grande dimensão está a fazer com que o país consiga atrair grande quantidade de investimento directo estrangeiro, muito em particular da Rússia, da China e dos Estados Unidos. (Macauhub)

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